quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Violência nas cidades: reflexo do sistema ou da pobreza?

Boa noite a todos....
Essa semana estaria sendo bem tranqüila, se ontem eu não tivesse sido assaltada. Roubaram o meu celular, e o problema não foi a peça em si, pois eu poderia ter perdido, ou mesmo quebrado. Não consigo esquecer a forma pela qual o homem me abordou. Fui intimidada, e essa sensação de terror, medo ainda passa pela minha mente.
Acho que eu vivo como a "Alice no país das maravilhas", porque até então eu me sentia super tranqüila e segura para sair a qualquer horário. Agora não, parece que estou em uma névoa de fobia, medo de novamente isso acontecer. As pressões me deixam extremamente desestabilizada.
Logo, hoje gostaria de abordar um tema que é comum a todos nós: a violência. Todos os dias somos violentados, seja pela relação difícil que temos em nosso trabalho, com a família, pressões quanto a questão econômica, roubos absurdos da nossa política, e casos de violência física, ou mesmo psicológica.
Não é possível que tenhamos que achar esse tipo de coisa normal. Como escutei essa semana, por exemplo, um colega de curso falando que ... no sistema capitalista é normal ter roubos, furtos... isto é, se somos coniventes com isso, é que alguma maneira concordamos com a atitude alheia e faríamos a mesma coisa se estivéssemos em condições iguais.
Uma criança que nasce em condições precárias, vive sem acreditar que terá um bom futuro e acaba entrando para o roubo, sequestro, etc.... se o Rousseau estivesse aqui diria: "A sociedade, isto é, nós o moldamos assim". Dessa maneira, ele está retribuindo para a sociedade aquilo que recebeu. Agora, será que sempre responderemos a violência com mais violência? Acho que está mais que provado: toda causa leva a um efeito, positivo ou negativo.
Assim, a violência gratuita a que estamos estamos expostos também é reflexo de nossa omissão perante ela. Dessa maneira, a pergunta do título é um reflexo da outra: sistema e pobreza, e conseqüênte falta de impunidade.
Bem, se toda causa leva a um efeito, todo o nosso medo, terror vivenciado no dia-a-dia da violência implítica na televisão, explícita em nossas praças, ruas... Assim, em nossos lares, ou em outras oportunidades também somos o opressor. Assim, na mudança da violência, primeiro é necessária uma atitude não-violenta, em favor de algo maior, do amor fraternal.
Bem, é isso... desejo a todos muita paz, amor e luta para a mudança do mundo... "a gente muda o mundo na mudança da gente.... Para finalizar, uma música, agora do Gabriel O Pensandor... Essa letra é muito bonita, acho que expressa tudo o que quis dizer no texto acima.

Até quando

Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você e pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer
Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?
Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante
A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário
A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco
A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você
Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem que seja educado, quw ande arrumado que saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é mundo que me dá
Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar
Escola, esmola, Favela, cadeia
Sem terra, enterra
Sem renda, se renda. Não, não!Até quando você vai levando porrada, porrada?
Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro
Até quando você vai levando porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?

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