domingo, 31 de agosto de 2008

Viver de amor, viver na dor...... poesia moderna?

Boa tarde a todos.... hoje estou escrevendo nesta linda tarde de domingo ensolarada... tenho muitas coisas a escrever e estudar hoje. O tempo está ficando cada vez mais curto, mas nem sempre nosso estar disponível somente para atividades de cunho mais sério.
Eu poderia escrever sobre muitas coisas: música, valores, trabalho, estudo, mas hoje me limitarei a escrever sobre o amor. Esse tema tem sido recorrente em minha vida, seja pelo envolvimento afetivo e pelo Drummond.
Acredito que a única coisa que pode nos salvar é o amor. Palavra que se sente, e ao mesmo pode significar dor ou felicidade. Estou envolvida por alguém. Eu o conheci, por acaso, no centro da cidade... O que seria apenas uma noite, virou dias, e tem durado semanas. Porém, nem tudo pode ser perfeito no amor, pois cada um está numa fase da vida. Por isso, ao lado do encontro, tantos desencontros!
Ainda sim, mesmo quando não temos o amor de alguém, de nossos familiares, a vida nos sorri apresentando o mundo cheio de sofrimentos que pede para ser amado. Ontem li uma preleção linda, que falava justamente sobre isso: o amor pelo nosso planeta, nossa mãe Gaia, que graças a ela temos a possibilidade de crescer e nos tornarmos melhores. Será que nossa falta de amor com o mundo, revela nossa própria falta de amor ?
Se nós revelamos ao mundo, o que está dentro de nós, deve existir muita dor em nossos corações. Percebo muitas vezes que um mínimo gesto ou passo que dê, sem amor, centrada apenas em mim, desestabiliza ao redor. No fundo é difícil amar, fazer amar o mundo e suas contradições.
Quanto ao Drummond, eu não sei explicar mas ele não sai da minha mente. Ando e penso em sua poesia, na vida que prossegue com seus versos que me tocam a cada dia... Ele conseguiu realmente captar o cotidiano. Tenho vontade de escrever uma peça de teatro sobre o amor, sendo esse mesmo autor, minha inspiração para ela. Pois o ato de amar é o tempero da vida. Mas em seu exagero, o amor pode matar, ferir. Literalmente é a metáfora da rosa, bela e suave com seus espinhos.
Desejo que todos tenhamos amor para dar, doar, e que mesmo a dor não tire essa capacidade tão linda de olhar com os olhos do coração para o mundo. Para terminar, um poema do Drummond sobre o amar, e como diria o próprio: "amar mesmo até nossa própria falta de amor". Que aprendamos a amar o simples, o inóspito....

Amar
Carlos Drummond de Andrade

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Nenhum comentário: