sábado, 1 de novembro de 2008

Resumão: ainda lembro....

Boa tarde a todos. Faz tempo que eu não escrevo. Tenho vivido uma loucura atrás da outra. Agora estou com um trabalho em São Paulo de camareira, outro como consultora e de fim de semana sou monitora de festas infantis. Confesso que estou gostando dessa minha nova realidade, pois no fundo é a primeira vez que experimento trabalhar e agir com minhas próprias pernas. Cansei de viver as coisas apenas em pensamento, e quero mudar minha realidade.
Estou escutando um CD bem interessante chamado "Anima Especiarias". As músicas são bem exóticas, misturando instrumentos musicais, como a viola, a rabeca, flauta doce, berimbau, etc.
Mas mudando de assunto completamente, só fiz isso para ambientalizar o lugar e momento geral que estou vivendo. No fundo, acho que não estou conseguindo me reconhecer no meio de tanta bagunça. Ainda não deixei a casa de minha irmã, mas hoje dei o primeiro passo - fui procurar apartamentos. Foi bem interessante, e eu espero que isso dê certo, para enfim ter o meu lar.
Outra bagunça em minha vida é de ordem amorosa. O meu amor-acaso, que veio de um nada, uma rua qualquer se foi.... Me trocou pelo mundo! Posso dizer que nunca vivi uma situação como essa, pois foi a primeira vez que me senti apaixonada, e pude corresponder a alguém. Era o amor correndo pelas minhas veias, e eu o respirava... e era feliz. O fim está fazendo com que eu reflita os meus valores, quem realmente sou e como estou agindo. Mesmo assim, tenho vivido dias nublados, apesar do calor e sol na cidade de Campinas. Não sinto fome, nem vontade para sair... sinto uma tristeza muito grande.
Mas é preciso viver, e não posso reclamar da vida, pois nem tudo anda bem, mas poderia estar bem pior. Além do mais, estou vivendo, e isso é o que importa. O que levo de mais lindo foram os momentos que passamos juntos, e mesmo que tenha durado pouco, foram inesquecíveis para mim. Eu espero poder viver sempre assim: momentos inesquecíveis com pessoas incomparáveis e especiais. Para terminar, deixo uma música triste. Mas no fundo a esperança da melhora e vitória na certa. Fiquemos em paz!

Rio que perde o chão é catarata


Barco ao mar o chão é um vagar sem fim
Aportar sem que haja porto...
Eu sei que meu lugar nunca é aqui...
Então vou sem que saiba pra onde
Estou sempre longe
Preciso ainda seguir...

Leve-me com você
Por direção qualquer
Sem que não vai haver a rota exata...
Deixe correr em vão
Sem fundo esta paixão
Rio que perde o chão é catarata...

Sem lugar sou um estrangeiro em mim
Repousar sem que haja pouso
Essa cidade se desfaz...
Se refaz sem fim...
Mesmo assim não me encontro nela
Me escondo nela
Não sei mais de onde vim
Perambulo sem precisão
Transeunte comum
Não me acho na multidão
Sou igual qualquer um...

Leve me com você
Por direção qualquer
Sem que não vai haver a rota exata...



sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Devaneios da Caminhante Solitária

Boa tarde a todos... Bem, minha semana poderia ter sido bem tranqüila, pois afinal tenho tanta oportunidade quanto qualquer outra pessoa... mas não é bem isso o que se sucedeu. Se posso resumir, tenho atropelado os acontecimentos, e o que era para ser uma simples rotina, está se transformando numa bola de neve.
Hoje eu gostaria de refletir um pouco o porque de minha vida esta tão fora de eixo, órbita. Acredito que sem sentido seria um pouco demais dizer, pois ainda acredito que as coisas possam mudar de rumo.
Estou super desestabilizada emocionalmente, por conta dos meus trabalhos mau resolvidos, relacionamentos mal vividos, problemas familiares. Tem me sucedido uma série de fatos insanos... As vezes nem acredito que essas coisas acontecem comigo. Ainda sim, gostaria de deixar registrado essa minha busca por determinadas respostas dentro de meu ser, me elucidando melhor sobre os fatos acontecidos.
Bem, hoje me limitarei a comentar apenas sobre meus relacionamentos amorosos. Me envolvi, faz em torno de um mês, com um certo rapaz que conheci na cidade. Foi o acaso nos apresentou no meio da rua. Aparentemente as coisas começaram bem, e eu me deixei levar. Estou super apaixonada, mas ele não consegue esquecer sua ex-companheira, e não se envolve comigo. Tenho investido meu tempo, vida, pensamento nesse tipo de relacionamento que só me suga. É fato que tenho tendências a me envolver com pessoas (auto) destrutivas. Pode ser que no fundo eu realmente tenha medo de me envolver seriamente, então procuro por pessoas que estejam fora de padrões, com um perfil tranqüilo, sem pré-disposição para se envolverem emocionalmente. Estou sozinha há muitos anos, e é claro que eu gostaria de me envolver com alguém, mas não posso obrigar as pessoas a fazerem isso. E também não quero ser um modelo radical de ser humano, em convicções fechadas, como ser libertária ou romântica no relacionamento.
Me sinto tão nostálgica, down..... tristeza que não tem fim. Dor que sangra o sentimento, corrói o espírito. Não consigo estudar, pensar, nada! Apenas consigo chorar, pensar que as coisas poderiam ter sido diferentes.
Não irei escrever mais por hoje, pois nada que desabafe vai fazer melhorar esse sentimento que é apenas meu.
O título, faz uma menção a Jean Jacques Rousseau, que também passou seus últimos dias sozinho.

domingo, 31 de agosto de 2008

Viver de amor, viver na dor...... poesia moderna?

Boa tarde a todos.... hoje estou escrevendo nesta linda tarde de domingo ensolarada... tenho muitas coisas a escrever e estudar hoje. O tempo está ficando cada vez mais curto, mas nem sempre nosso estar disponível somente para atividades de cunho mais sério.
Eu poderia escrever sobre muitas coisas: música, valores, trabalho, estudo, mas hoje me limitarei a escrever sobre o amor. Esse tema tem sido recorrente em minha vida, seja pelo envolvimento afetivo e pelo Drummond.
Acredito que a única coisa que pode nos salvar é o amor. Palavra que se sente, e ao mesmo pode significar dor ou felicidade. Estou envolvida por alguém. Eu o conheci, por acaso, no centro da cidade... O que seria apenas uma noite, virou dias, e tem durado semanas. Porém, nem tudo pode ser perfeito no amor, pois cada um está numa fase da vida. Por isso, ao lado do encontro, tantos desencontros!
Ainda sim, mesmo quando não temos o amor de alguém, de nossos familiares, a vida nos sorri apresentando o mundo cheio de sofrimentos que pede para ser amado. Ontem li uma preleção linda, que falava justamente sobre isso: o amor pelo nosso planeta, nossa mãe Gaia, que graças a ela temos a possibilidade de crescer e nos tornarmos melhores. Será que nossa falta de amor com o mundo, revela nossa própria falta de amor ?
Se nós revelamos ao mundo, o que está dentro de nós, deve existir muita dor em nossos corações. Percebo muitas vezes que um mínimo gesto ou passo que dê, sem amor, centrada apenas em mim, desestabiliza ao redor. No fundo é difícil amar, fazer amar o mundo e suas contradições.
Quanto ao Drummond, eu não sei explicar mas ele não sai da minha mente. Ando e penso em sua poesia, na vida que prossegue com seus versos que me tocam a cada dia... Ele conseguiu realmente captar o cotidiano. Tenho vontade de escrever uma peça de teatro sobre o amor, sendo esse mesmo autor, minha inspiração para ela. Pois o ato de amar é o tempero da vida. Mas em seu exagero, o amor pode matar, ferir. Literalmente é a metáfora da rosa, bela e suave com seus espinhos.
Desejo que todos tenhamos amor para dar, doar, e que mesmo a dor não tire essa capacidade tão linda de olhar com os olhos do coração para o mundo. Para terminar, um poema do Drummond sobre o amar, e como diria o próprio: "amar mesmo até nossa própria falta de amor". Que aprendamos a amar o simples, o inóspito....

Amar
Carlos Drummond de Andrade

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Violência nas cidades: reflexo do sistema ou da pobreza?

Boa noite a todos....
Essa semana estaria sendo bem tranqüila, se ontem eu não tivesse sido assaltada. Roubaram o meu celular, e o problema não foi a peça em si, pois eu poderia ter perdido, ou mesmo quebrado. Não consigo esquecer a forma pela qual o homem me abordou. Fui intimidada, e essa sensação de terror, medo ainda passa pela minha mente.
Acho que eu vivo como a "Alice no país das maravilhas", porque até então eu me sentia super tranqüila e segura para sair a qualquer horário. Agora não, parece que estou em uma névoa de fobia, medo de novamente isso acontecer. As pressões me deixam extremamente desestabilizada.
Logo, hoje gostaria de abordar um tema que é comum a todos nós: a violência. Todos os dias somos violentados, seja pela relação difícil que temos em nosso trabalho, com a família, pressões quanto a questão econômica, roubos absurdos da nossa política, e casos de violência física, ou mesmo psicológica.
Não é possível que tenhamos que achar esse tipo de coisa normal. Como escutei essa semana, por exemplo, um colega de curso falando que ... no sistema capitalista é normal ter roubos, furtos... isto é, se somos coniventes com isso, é que alguma maneira concordamos com a atitude alheia e faríamos a mesma coisa se estivéssemos em condições iguais.
Uma criança que nasce em condições precárias, vive sem acreditar que terá um bom futuro e acaba entrando para o roubo, sequestro, etc.... se o Rousseau estivesse aqui diria: "A sociedade, isto é, nós o moldamos assim". Dessa maneira, ele está retribuindo para a sociedade aquilo que recebeu. Agora, será que sempre responderemos a violência com mais violência? Acho que está mais que provado: toda causa leva a um efeito, positivo ou negativo.
Assim, a violência gratuita a que estamos estamos expostos também é reflexo de nossa omissão perante ela. Dessa maneira, a pergunta do título é um reflexo da outra: sistema e pobreza, e conseqüênte falta de impunidade.
Bem, se toda causa leva a um efeito, todo o nosso medo, terror vivenciado no dia-a-dia da violência implítica na televisão, explícita em nossas praças, ruas... Assim, em nossos lares, ou em outras oportunidades também somos o opressor. Assim, na mudança da violência, primeiro é necessária uma atitude não-violenta, em favor de algo maior, do amor fraternal.
Bem, é isso... desejo a todos muita paz, amor e luta para a mudança do mundo... "a gente muda o mundo na mudança da gente.... Para finalizar, uma música, agora do Gabriel O Pensandor... Essa letra é muito bonita, acho que expressa tudo o que quis dizer no texto acima.

Até quando

Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você e pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer
Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?
Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante
A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário
A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco
A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você
Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem que seja educado, quw ande arrumado que saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é mundo que me dá
Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar
Escola, esmola, Favela, cadeia
Sem terra, enterra
Sem renda, se renda. Não, não!Até quando você vai levando porrada, porrada?
Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro
Até quando você vai levando porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Nostalgia

Boa noite, estou em momento de rever valores, e acabei escrevendo um poema, que gostaria de dividir com vocês. Um grande abraço.

Vácuo Interno

Calar-se, omissão!
repulsão dos que amam,
e não aceitam o mundo como verdade.

Ao viver assim, isólo-me num cristal
rosado, como a flor intacta
Delicadeza que atrai e espinho que fere

O que é liberdade?
Se esta significa sofrimento alheio?
E prisão terrena do coração!

No pulso por viver
Loucura da vida humana e sobre-humana
num momento esqueço-me das coisas
Como se não fosse responsável por nada!

Diriam: as atitudes nos mostram quem somos.
E sou apenas um vazio completo,
no meio da escuridão.

Sem culpa ou dor pelo que perdi [perco]
Em busca de mais, cada vez mais....
Vazio.....
Daniela Rueda - 12/08/2008

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Será que um dia daremos risada?

Acho que as noites sempre me deixam mais inspiradas para escrever. Aqui em Campinas, faz frio e chove nessa noite de inverno, por vezes muito seca. O paradoxo literalmente faz parte do nosso cotidiano!
Minha vida tem tido tantos altos e baixos. Cada semana tenho estado com um sentimento diferente: ora triste, ou mesmo melancólica, em outros momentos eufórica. As coisas em minha vida estão tomando cada vez mais a proporção do "passageiro". O que isso implica na minha forma de encarar a realidade? É mais fácil viver nesse conceito pela falta de preocupação? Isso denota irresponsabilidade?
Bem, para dizer a verdade eu não sei responder nenhuma dessas perguntas. Quem sabe um dia, quando estiver na raiz do conhecimento, em frente a árvore da sabedoria dai então serei melhor esclarecida.
Acredito que em algumas situações sou mal interpretada, ou apenas interpretada de maneira diferente, porque o entendimento é individual, e por isso mesmo não posso criticar o mundo, pois minhas atitudes mostram o que eu sou. O discurso apenas afirma...
Por vezes, tenho sido dura com as pessoas, agindo de forma precipitada, o que no meu caso, tem sido algo normal pois eu não consigo me controlar. A vida me chama, e eu apenas sigo seu curso. Podemos chamar isso de falta de responsabilidade? Sim, podemos, mas se tudo é passageiro como interpreto isso diante de meus atos? A vida corresponde a uma séria de fatos, sem sentido, que no final dão sentido a nossa existência. Os encontros e desencontros , decorrentes disso, depende mais de estarmos abertos a isso.
Viver é uma escolha! E afinal, cada um encontra-se num estágio de evolução. A cartillha pode servir para um, mas não para todos. Olhar com igualdade é esquecer nossas singularidades, especificidades humanas subjetivas.
Bem, será que um daremos risada de tudo isso, é uma tentativa de enxergar uma luz no fim do túnel para nossas angústias, e de não olharmos a vida de maneira fechada.
Para finalizar um sambinha do Cartola que diz tudo: precisamos nos encontrar!

Preciso Me Encontrar
Composição: Candeia

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...(2x)

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar
Quando eu me encontrar
Quando eu me encontrar
Depois que eu me encontrar
Quando eu me encontrar
Depois, depois
Que eu me encontrar
Quando eu me encontrar
Depois, depois
Depois que eu me encontrar...



quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Que só quando cruza a Ipiranga com a São João

Boa noite!
Inicio este texto, falando um pouco sobre o curso que estou fazendo pelo Ministérios da Cidade, chamado "Acesso a Terra Urbanizada: implementação de planos diretores e regularização fundiária plena". Estou gostando muito, e desde o início das aulas, estava com vontade de falar sobre algumas questões que estão permeando este assunto.
Primeiro, como bibliotecária, nunca estudei nada relacionado a isso, e na Incubadora Regional de Cooperativas Populares da UFSCar / INCOOP tive contato com a economia solidária, planejamentos participartivos, mas nada relacionado com acesso a moradia, estruturação das cidades, etc. Está sendo tudo novo, mas estou começando a entender melhor algumas perguntas que me questionava na adoslescência, como: porque a prefeitura cobra determinado imposto, porque as cidades estão crescendo tão desgovernadamente.... etc
O Estatuto da Cidade foi criado em 2001 com o objetivo de ter uma atuação mais firme com os municípios. Ele coloca o planejamento das cidades, isto é, os Planos Diretores, como sendo essenciais na organização e constituição dos espaços.
Dessa maneira, o estatuto faz uma definição do que seria "propriedade social" que no caso, delimita a função social da localidade, por exemplo. " O desenvolvimento pleno das funções sociais da cidade supõe a realização plena do direito a cidades sustentáveis, entendido como direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras gerações (Estatuto da Cidade, art. 2, inciso I). Óbvio que ele é bem utópico, mas não custa nada sonhar.
Bem, temos estudado vários exemplos, e um que é bastante interessante é de uma cidade chamada Ipojuca / PE. Todas as informações colocadas sobre essa cidade pertencem a Simone Osias, colega de curso. Aliás, ela é super competente e tem muito conhecimento no assunto.
Bem, Ipojuca é uma cidade litorânea, que possui a muitos terrrenos ociosos. Atualmente a venda de um terreno custa em torno de 200.000,00. Isso tem levado a população mais pobre perto das encostas, onde constroem barracos. A cidade sofre com um problema muito grande: a especulação imobiliária. Isso acontece porque os imóveis ficam extremamente valorizados, não dando condições as camadas mais pobres, e os grandes compradores são em sua maioria estrangeiros. Conclusão: as casas ficam fechadas, ociosas e perdem sua função.
Bem, o mais interessante está sendo desmistificar alguns preconceitos que eu tinha por desconhecer o assunto. Existem milhares de imóveis ilegais, que eu pensava serem constituídos apenas por cortiços, favelas e invasões. Porém, existem esse tipo de construção entre a população mais nobre. Fiquei chocada, mas daí comecei a entender que muita gente age assim porque também não tem conhecimento das leis, e ai constrói em reserva florestal, lençóis de água, etc. Se a moradia é um direito, as pessoas mais pobres necessitam lutar por isso, como fazem muitos movimentos, como o MTST. Aliás, sobre esse movimento vi um filme muito interessante no Cinufscar o ano passado chamado "Hoje é dia de Festa". A produtora do filme é a Olhar Imaginário (http://www.olharimaginario.com.br/).
Espero que este texto esclareça um pouco mais o assunto.
Bem, é isso.... saudações paulistanas, saocarlenses, campineiras e agora jundiaienses.....

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Divagando no nada...

Boa noite, nossa essas duas semanas foram tão corridas...
Bem, fui para Belo Horizonte, num treinamento de uma base de dados que será implantada em meu local de trabalho, chamada Pérgamum. Claro que eu não falarei sobre o sistema, não é o momento de falar sobre esse assunto, e qualquer coisa, se alguém se interessar posso mandar o tutorial. Eu gostaria de falar sobre a minha experiência de ter ido lá...
Aproveitei para me reencontrar e despedir de um amigo que conheci lá em Belém do Pará, que está saindo do Brasil para descobrir novos mundos... se estivéssemos a alguns séculos antes ele iria de caravela para a misteriosa Dublin.
Bem, ele me levou a uns lugares bem interessantes, como bares, bares, bares... também fiz outras atividades, mas hoje me limitarei a falar deles, que aliás proporcionam momentos agradáveis, reflexivos e práticas, através do nosso instinto que fica mais a mostra. Enfim, as conversas de bares são as melhores, porque todo mundo relaxa e deixa a verdade sair.
Nossas conversas tiveram muito o teor do pragmatismo, da questão prática sobre as coisas. E no fundo, fiquei pensando se realmente estou praticando alguma coisa, ou apenas filosofando sobre minhas vãs e velhas filosofias...
Praticar, agir, intervir, cada um sendo sujeito de sua história, ser, no caso eu mesma. As vezes me pego pensando, encanando em coisas tão pequenas e as que possuem realmente importância acabo deixando.
Tem muita gente se utilizando da prática para propor novas formas de sociologia, política... talvez a história sirva para nos mostrar o que caminhamos e como foi realizada essa trajetória, porém ela pode ser um entrave na nossa vida, na nossa participação do mundo e para o mundo.
Essa semana fiquei com uma vontade enorme de sumir do mapa. E eu nem sei explicar... fiquei nessa coisa existencialista de entender se o que faço é útil, se sou realmente feliz.... Essa semana eu quis de tudo: desde ir para as artes, ir para os projetos sociais, ou mesmo desencanar de tudo e virar hippie. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão. Aliás, só estou começando a entender que sempre serei incompleta dentro da completude desse mundo. Mas é estranho pensar que nascemos num corpo com infinitas possibilidades, e passaremos a vida fazendo apenas uma coisa! Sempre penso nisso e acho muito triste.....
Muito se fala sobre planejar, estratégias... livros e mais livros relatam a importância de nos planejarmos, mas o mais importante é entendermos que teorizar muito nos torna dogmáticos, isto é, inflamados e com um discurso vazio... A vida é linda, o ser humano com suas infinitas variedades, e ainda me encontro imersa apenas em leitura . Quando terei olhos para enxergar o vivo das cores na natureza, que o verde é bem mais verde do que parece?
Boa noite e uma ótima viagem para todos nós, por onde quer que passemos...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Ser ou ter: eis a questão

Essa é uma questão que tenho me deparado todos os dias... antes, pensava que precisava "ser" para "ter", mas hoje, justamente pela mudança de valores que estamos tendo atualmente, na chamada sociedade do consumo, a questão de possuir, consumir toma o sentido, ela que molda o ser. O Frei Betto, fala da "síndrome da grife: onde a pessoa é a mesma, mas a mercadoria que reveste passa a ter mais valor que o ser, e passa a imprimir o valor" (LISBOA ; FAUSTINO apud Frei Betto).
Isso me lembra muito Carlos Drummond de Andrade, com o poema Eu, etiqueta, aliás, super atual falando do humano, do ser sentinte e solidário, que para ficar/estar na moda nega sua identidade. Acredito que essa frase possa, por vezes resumir nossas atitudes: "escravo da matéria anunciada". Venho refletindo intensamente sobre a nossa sociedade, forma como nos comportamos atualmente frente a essas questões. Nos levamos pela aparência, e nos enganamos com ela, porque a aparência é bem aceita.
Outro dia estava na casa de meu amigo em São Paulo, e li uma reportagem bem interessante falando sobre a "pobrefobia". O título era A viadagem encampando a pobrefobia, e o artigo era uma crítica a Parada Gay, que havia perdido seu sentido de manifestação, protesto, luta contra a homofobia, preconceito, para se tornar uma exibição infinita de corpos e roupas de marcas. De nenhuma maneira, estou aqui criticando o movimento, do qual sou a favor, pois acredito na diversidade, em todos os seus aspectos. Porém, se um movimento começa a separar, excluir, acredito que seja necessário uma revisão de valores.
Bem, abaixo o poema do Drummond, que vale a pena ser lido, relido, refletido, e quem sabe assumido, como um discurso em favor das relações humanas, personalidade e valores não baseados não em concepções mercantilistas

Eu, etiqueta

Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais.
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas
todos os logotipos de mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem a vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco de roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me retiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estásticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo indústrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

REFERÊNCIA
LISBOA, A. de M. ; FAUSTINO, A. V. Trocas solidárias, moeda e espiritualidade. Disponível em: http://www.tau.org.ar/upload/89f0c2b656ca02ff45ef61a4f2e5bf24/trocas_solidarias_dea_lisboa_1_.pdf. Acesso em: 2 jul. de 2008.

NASCIMENTO, P. A viadagem encampando a pobrefobia. Caros Amigos, Disponível em: http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed124/nascimento.asp. Acesso em: 9 jul. de 2008.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Uma apresentação

Olá a todos.... eu decidi começar a escrever um blog, pois achei que seria uma maneira útil de desabafar o cotidiano da vida, esse sistema que nos empurra a ter uma vida cada vez mais consumista, e o trabalho que, por vezes, nos consome.
Dessa maneira, esse blog será bem diversificado, com temas sobre o meio ambiente, trabalho, pós-modernidade, filosofia e Biblioteconomia. A idéia é ser esse sanduíche, com temas variados, e espero proporcionar uma leitura agradável, e que acrescente algo as vidas.
Acredito que precisamos ter uma postura cada vez mais engajada, centrada e pensada nos outros. Vivemos um cotiano cercado de indivualidades, e com isso perdemos a noção de nossa condição humana, interdependente, ligada a vidas, sejam humanas ou não.
Um abraço a todos